segunda-feira, 7 de junho de 2010

Realismo em Eça de Queirós


Do Realismo, como foi dito, destacam-se particularmente Eça de Queirós e Cesário Verde. Eça, nas suas obras, apoia-se em duas artes: na pintura, servindo-se do detalhe não para fazer imaginar, mas para mostrar ao leitor a realidade; e serve-se da música, no que respeita a todo o simbolismo. Neste colóquio, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco da obra de Cesário, e das suas influências. Cesário introduz novidades na poesia que, no século XIX foram aceites com muita dificuldade. Manteve-se na economia e teve contacto com a pintura e com escritores. Porém, não é destes que obtém a inspiração para as suas obras. Cesário faz uma representação da realidade social contemporânea e, num dos seus poemas (“De tarde”), mostra-nos como a literatura se concebe com a pintura, comparando-a a um quadro pintado a aguarela (aguarela porque esta surgiu no seu tempo, representado também algo de novo a mostrar), onde é visível um grupo de pessoas ao ar livre, descontraídas. A simplicidade da cena que é descrita no poema mostra-nos algumas das características da média burguesia, que Cesário pretende dar a conhecer, evidenciando também marcas do Impressionismo nos seus versos.

Antero de Quental e a Geração de 70


Antero esteve intimamente relacionado com a Questão Coimbrã, e sobre ela, há que referir que, pelos finais dos anos 60 surge-nos uma geração muito especial, que despoletou todo o fenómeno da literatura, e não só, em Portugal. Este grupo de escritores e intelectuais possuía um grande poder de intenção e comunicação: uma diferente visão do mundo Tal facto conduziu à realização de trabalhos que conduziram à reforma da mentalidade e da sociedade portuguesa: uma “emancipação”, chamemos-lhe assim. Deste grupo faziam parte Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Teófilo Braga, Eça de Queirós, Oliveira Martins, Jaime Batalha Reis, Guilherme de Azevedo e Antero de Quental. A Geração de 70, como ficou conhecida, foi assim a primeira geração programática de Portugal. Mantém-se assim como um mito cultural, uma geração exemplar, a primeira grande movimentação.

A manifestação da Geração de 70 leva-nos à Questão Coimbrã. Neste grupo não existia homogeneidade de ideias e de intenções, sendo que apenas uma pequena fracção era demandante. Antero de Quental depara-se com a necessidade de existência de uma consciência moral, ainda influenciado pelos ideais da revolução francesa. Introduz-nos a noção de progresso e liberdade, valores necessários para reverter o país da situação de decadência em que se encontrava “Portugal está num estádio pré-moderno: foge de uma racionalidade científica e programática” – afirma o professor Siabra. Antero privilegia o que é útil e necessário e considera, diz-nos o professor, que “a economia é a musa dos tempos modernos”. Antero é um grande poeta Romântico, de um romantismo que não existia em Portugal, tendo sido influenciado pelas tendências francesas, alemãs e italianas. Sendo Romântico, opõe-se ao Realismo, mas, contudo, o movimento por ele despoletado cria condições em Portugal para a sua implantação.

O que foi tratado no Colóquio?

Neste colóquio foram abordados vários assuntos referentes às correntes literárias do Romantismo e do Realismo, bem como foi destacado o importante papel da Geração de 70 e de Antero de Quental na transição do Romantismo para o Realismo. Tivemos também a oportunidade de aprofundar e adquirir novos conhecimentos sobre Eça de Queirós e, essencialmente, de Cesário Verde, duas grandes referências da literatura portuguesa, presentemente e brevemente em estudo.

Dos assuntos abordados, comecemos então pelo Realismo. “O Realismo é projecto de/programa de representação objectiva da sociedade contemporânea”. Podemos assim dizer que o Realismo foge da literatura evasiva, da literatura histórica: distancia-se do Romantismo. A realidade corresponde então o quotidiano e à descrição exacta do mundo e do que nele se passa. Ao realismo importam, portanto, os interesses da sociedade, do grupo e o seu comportamento. Eça de Queirós e Cesário Verde são dois realistas que importa destacar, mas teriam sido eles os impulsionadores do realismo? A resposta é-nos dada por outra grande figura: Antero de Quental.

Colóquio sobre Cesário Verde e Eça de Queiroz


Foi no passado dia 13 de Abril que nós, alunos do 11º ano de escolaridade tivemos a oportunidade de conhecer um pouco do tempo em que viviam dois dos grandes génios da literatura portuguesa: Eça de Queirós e Cesário Verde. O colóquio, dirigido pelo professor José Carlos Siabra Pereira da universidade de Coimbra, com o apoio do Museu de Coruche e das professoras de Português da nossa escola, teve lugar na biblioteca, às 11h. Em paralelo, realizou-se parte do projecto de turma do 11ºC, que consistia numa apresentação dos trajes das personagens de “Os Maias”.