segunda-feira, 7 de junho de 2010

Antero de Quental e a Geração de 70


Antero esteve intimamente relacionado com a Questão Coimbrã, e sobre ela, há que referir que, pelos finais dos anos 60 surge-nos uma geração muito especial, que despoletou todo o fenómeno da literatura, e não só, em Portugal. Este grupo de escritores e intelectuais possuía um grande poder de intenção e comunicação: uma diferente visão do mundo Tal facto conduziu à realização de trabalhos que conduziram à reforma da mentalidade e da sociedade portuguesa: uma “emancipação”, chamemos-lhe assim. Deste grupo faziam parte Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Teófilo Braga, Eça de Queirós, Oliveira Martins, Jaime Batalha Reis, Guilherme de Azevedo e Antero de Quental. A Geração de 70, como ficou conhecida, foi assim a primeira geração programática de Portugal. Mantém-se assim como um mito cultural, uma geração exemplar, a primeira grande movimentação.

A manifestação da Geração de 70 leva-nos à Questão Coimbrã. Neste grupo não existia homogeneidade de ideias e de intenções, sendo que apenas uma pequena fracção era demandante. Antero de Quental depara-se com a necessidade de existência de uma consciência moral, ainda influenciado pelos ideais da revolução francesa. Introduz-nos a noção de progresso e liberdade, valores necessários para reverter o país da situação de decadência em que se encontrava “Portugal está num estádio pré-moderno: foge de uma racionalidade científica e programática” – afirma o professor Siabra. Antero privilegia o que é útil e necessário e considera, diz-nos o professor, que “a economia é a musa dos tempos modernos”. Antero é um grande poeta Romântico, de um romantismo que não existia em Portugal, tendo sido influenciado pelas tendências francesas, alemãs e italianas. Sendo Romântico, opõe-se ao Realismo, mas, contudo, o movimento por ele despoletado cria condições em Portugal para a sua implantação.

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